sábado, 9 de janeiro de 2010

Transe

Já faz algum tempinho que não posto nada nesse blog. Talvez você que está aí do outro lado lendo esteja conhecendo ele somente agora. Talvez não. Na verdade nem sei porque comentei isso.

Tenho estado um pouco desanimado pra escrever, olho as vezes pro blog e me pergunto "Que diabos! Isso aqui não presta pra nada". Pensei melhor e notei qu epresta sim. Quando quero por algo pra fora, algo que fica preso na garganta , ou quando acho algo belo demais, ou triste demais, ou assustador demais, eu posso escrever. Escrever não é um presente divino para os intelectuais bem de vida, encaixados no melhor molde europeu. Escrever é um dos instrumentos que nós, humanos, deuses doentes, temos para expressar o que somos, sentimos, desejamos. Escrever sem moldes, sem regras ou limites, afinal não sabemos a profundidade do abismo ou a altura dos céus onde nosso espirito, nossa alma, pode nos levar. Escrevo isso enquanto escuto as businas e os escapamentos do centro de Porto Alegre, cidade que eu amo não por ser uma cidade grande, não por ser a capital do estado Gosto daqui por que aqui é Porto Alegre, simplesmente. Aqui eu ando pelas ruas e me sinto como um herói de um livro que ainda não foi escrito, me sinto mortal, me sinto vivo. Aqui eu posso cuidar do meu afilhadinho, vestí-lo, ouvir ele gritando e pulando, transformando-se em Ben 10, me derrotando, o monstro que sou, e dizendo triunfamente no final "Venchi vochê. seu idiota!!!" (mesmo meu afilhado transcende, supera seu mundo)

Caminhando nas ruas daqui vejo um verdadeiro mosaico de vidas, não são rostos, braços ou pernas, são vidas que vibram a cada sagrado instante. Vejo nos olhos do vendedor ambulante um portal para uma gama de mundos e vejo o mesmo nas pedrinhas da Rua dos Andradas, nas fachadas do Mercado Público, na cerveja gelada e deliciosa da minha madrinha, no sorriso dela, no boneco de pano do Mário Quintana, nos encanamentos expostos, no céu, no Guaíba, em tudo. É como estar em um transe colossal, diferente a cada vez, mas sempre o mesmo. E eu sinceramente não sei porque eu adoro ficar aqui.

São essas coisas que me fazem escrever e , Deus do céu, como pude pensar em abandonar isso, esse meu amigo que não me deixa desistir, esse filho da puta que me mostra o mundo e a sua face mais feia, escrota, essa parte de mim, essa parte dos outros. O que eu mais queria era ver isso jorrando da alma de todos que vejo. Todos deviam escrever, pintar, cantar, deixar a alma sair do corpo e se fantasiar do que quisesse. Deus, como quero ver isso. Talvez esteja em todo o canto e eu olhando pra dentro de mim não tenha percebido. Mas agora estou atento, agora vejo com mais clareza. Quero olhar no fundo dos olhos. Quero viver, amar, escrever.

3 comentários:

Thainá disse...

Adorei esse post
tão feliz :)
adoro posts felizes.

Gabriela disse...

Olááá!
Enfim li teu blog, e incrivelmente depois de postar no meu, um post com a mesma essência.
Bom retorno, à nós!

kika disse...

adorei o blog, parabéns.
Kika Martinez