domingo, 6 de dezembro de 2009

Quero beber devagar.


- Você sempre vai amar alguém, esteja certo. O amor sempre acaba, mas também sempre volta. É... eu sei cara. Amar é uma merda!

Sábias as palavras que o Sagrado Budha me disse ontem, talvez eu seja mesmo um vagabundo iluminado. Desde que eu sempre possa beber e disparar minha metralhadora estúpida de palavras não ligo pra título algum. Bons amigos e umas cervejas sempre podem te fazer melhor. Te recostituem, te quebram, te fazem sorrir, te fazem chorar...cervejas e amigos sempre funcionam.

Hoje passei a tarde lendo A Folha de São Paulo no meu quarto com cheiro de perfume e cigarro. Descobri novos escritores a partir de um caderno antigo sobre a FLIP: Atiq Hamini, um franco-afegão que escreveu um romance a uma poeta que foi morta pelo marido; James Salter, um contista muito bom que gosta de Thomas Wolfe; e um português conhecido que eu desconhecia chamado Lobo Antunes que lançou um livro sobre violência juvenil, um enredo bem parecido com Laranja Mecânica. Mas isso não desmerece o autor. Muita coisa não desmerece as pessoas. Se acham Crepúsculo melhor que Romeu e Julieta eu ignoro, quero ficar em paz com minha cerveja, meus cigarros, meus escritores favoritos e com qualquer pessoa que esteja disposta a fazer o mesmo. Já não me importo tanto com o que as pessoas falam...muitas vezes não é aquilo que realmente pensam ou sentem. Eu sou assim algumas vezes, sei como é.


O negócio agora é relaxar e beber as palavras aos poucos.


Fiquei sabendo também sobre um dramaturgo que foi baleado em São Paulo. O nome dele é Mário Bortolloto, escreve peças prum grupo bem interessante chamado Parlapatões e gosta de ouvir Van Morrison. Ele parece ser um cara legal, despojado. Ele gosta de bares, de mulheres, de falar com mendigos e de escrever. Eu me identifiquei com ele, queria conhecer esse cara. Ele deve ser bem conceituado e também deve ter nascido com bastante sorte. Mas isso não desmerece ele.


É bom saber que por mais que aconteçam coisas no mundo o ato de escrever continua sendo humano.


O Blog dele tem um título irônico e trágico. É impressionante como a literatura nos engole e é mais impressionante ainda como amamos isso. Estou amando ter conseguido baixar a coleção completa de Hellblazer, amando o fato de ter ficado uma tarde inteira lendo jornal sem me sentir inútil ou culpado, amando escrever no meu blog mesmo que poucas pessoas leiam, mesmo achando que eu não escreva lá muito bem, estou amando ouvir Beirut enquanto digito tudo isso...

Eu realmente estou amando.

Não me importo em ver se algo está bom ou ruim no momento. Estou gostando das coisas como elas são.


Ouvi algumas pessoas falarem que me amam ontem, ouvi elas dizerem que gostam de mim. Não quero mais duvidar de nada, só vou deixar ser, só vou me equilibrar pelas calçadas e continuar sorrindo.Eu gosto de viver assim, e de ver as pessoas assim e de falar assim...por mais que eu tenha muito que aprender.


-Você é o nosso poeta boêmio!


Que bom que alguém viu assim, talvez eu seja isso mesmo. Mas o importante agora é não esquecer de pendurar o chapéu às vezes, tirar os sapatos, relaxar os pés, descansar, se acalmar.





E não esquecer de beber as palavras...bem devagar.

Um comentário:

Thainá disse...

É "o nosso amor a gente inventa pra se distrair e quando acaba a gente pensa, que ele nunca existiu"
gostei do post
bezo :*