segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Profeta da Calçada

Ele passou e acenou.
E em busca de luz eu atravessei o rio de pedras amassadas e sujas,
e o cumprimentei como um herói.

Convidei-o como um vizinho
a juntar-se a mim e a outros vagabundos
que mal sabem o que fazem, mas que caminham contentes e distraídos
[mal nenhum há nisso
E dei lhe um cigarro, e o acendi
E perguntei sobre o segredo da vida, o mal do século
O caroço do gozo, o beijo das fadas
E por um momento, ele olhou pro vazio, mergulhou na essência do (não)ser
[ por um momento foi meu Cristo

E viu a resposta como quem vê uma mulher convidando a deitar,
bonita demais pra ser verdade...
E não sabia sintetizar
Não saberia explicar
Não saberia responder

falar.

(não há como)

E eu agradeço e vou embora com a horda aprendiz
E ele fica ali


Contemplando o vazio













- até mesmo os profetas já não sabem mais o que dizer .

Nenhum comentário: