terça-feira, 17 de novembro de 2009

Café-da-manhã com gosto de Martini

Como este blog está a tempo sem comer alguma coisa vou fazer a mesma postagem que fiz em C&O.
Enjoy!




"Somos saudáveis apenas na medida em que nossas ideias são humanas"


Esse é o epitáfio do escritor fictício Kilgore Trout, um dos protagonistas de Café-da-manhã dos Campeões, ao lado de Dwayne Hoover um vendedor de carros fictício.

Não sei muito bem por onde posso começar a falar deste livro. Também creio na possibilidade de Kurt Vonnegut Jr. ter se sentido exatamente do mesmo jeito quando pretendia escreve-lo. Café-da-manhã dos Campeões, antes de qualquer definição, é um livro bastante engraçado e sério. Ser uma pessoa espirituosa seria um pré-requisito para rir dele. Saber parar de rir no momento certo seria importante também. Vonnegut, em um pequeno livro de um pouco mais de 300 páginas satiriza a política, o consumismo, o sucesso, a sociedade, a raça, o sexo e algumas outros coisas que os seres humanos costumam ostentar orgulhosamente. Ele aponta as facetas mais ridículas de todos os valores citados e faz isso sem parcimônia, sem moderar as palavras, ou melhor, ele escolhe as palavras exatas para que a sua piada não soe apenas suja e crua, mas compreensível, reflexiva e aceitável.

A narrativa diverte pela sua originalidade. Não é apenas uma narrativa fragmentada que perambula pelo tempo e espaço do romance, sua linguagem tem um caráter indiferente, como o de um texto analítico sobre a raça humana. Aliás, a obra é exatamente assim: voltada para um público de alienígenas que desconhecem a raça humana. No decorrer dessa novela alucinante você se depara com desenhos engraçados que explicam algumas idéias de Vonnegut e ajudam os alienígenas a compreender o mundo humano. Esses desenhos tem uma função fantástica no texto, fazendo com que você veja claramente as faces mais engraçadas e preocupantes da nossa adorável raça. Algumas luzes diretas do autor também aparecem no texto fazendo transparecer seu calcanhar de Aquíles: um caráter humanista, triste e artístico.

O livro pode ser encontrado em versão pocket na famosa coleção L&PM pocket. Você também pode vasculhar e-books por aí e procurá-lo em arquivo pdf.

Ele não é só recomendável, é essencial. Creio que o bordão que dá título a obra não ficou conhecido apenas pela famosa marca de cereais. Este livro é uma pérola da crítica e da contracultura (porque não?).

Bom café-da-manhã!

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