terça-feira, 27 de outubro de 2009

Abertura da Jornadinha!


Creio que o ultimo post tenha sido um tanto veemente e incaclculado mas, o importante é que demonstrei a profunda emoção de estar participando deste evento fantástico. Ontem foi um dia de muito trabalho para todos os envolvidos, desde o pessoal da limpeza até aos jornalistas e organizadores. Creio que ainda terei que trabalhar muito mais mas, isso só aumenta a vontade de estar aqui. A Jornada é, sem dúvida, a melhor fonte de experiência profissional que já tive.

Bem, deixando as emoções um pouco de lado vou falar sobre o que ocorreu ontem no primeiro dia da Jornada. Como já disse o espetáculo do Grupo Tholl foi fascinante, seu domínio de palco e toda a sua arte de expressão corporal comoveram muitos dos participantes. Eu só havia assistido uma única apresentação do grupo até então e notei, nesta Jornada, que ele assumiu um caráter mais adulto, com movimentos mais sensuais e atrativos. Após o espetáculo houve uma pausa para o jantar, todos dirigiram-se para a praça de alimentação que conta com algumas lanchonetes e restaurantes de boa qualidade. As pessoas aproveitaram para olhar as exposições de arte e fotografia no Centro de Eventos UPF, onde encontravam-se também algumas telas de touch screen com informações da Jornada.

Houve a entrega do 6º Prêmio Passo FundoZaffari & Bourbon de Literatura e a divulgação dos vencedores do 11º Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães. Cristovão Tezza foi o ganhador do 6º Prêmio com o romance O Filho Eterno e o vencedor do Concurso de Contos foi Éder Rodrigues de Belo Horizonte, com os contos “Quando o desejo passou por aqui”, “Primeira Página” e “Último domingo ao mar”. Em seguida Wim Veen, escritor holandês, iniciou uma conferência sobre a Geração Homo Zappiens, teoria desenvolvida por ele. Houve também a presença do Ministro da Cultura, Fernando Haddad, que se animou e falou por um longo período. "Infelizmente" eu não estava presente para ouvi-lo.

Hoje pela manhã o Circo da Cultura recebeu os jovens da 5ª Jornadinha, apresentada pelo ilústre Gato Gali-Leu! Após o hino brasileiro as crianças ouviram uma história da animadíssima Fátima Café. Ela estava tão animada que acabou ultrapassando o seu tempo o que diminuiu a conversa do fabuloso Pedro Bandeira com as crianças. Quando ele se retirou do palco eu o segui como um menino tímido até o local onde ele está dando seus autógrafos, neste exato momento, e fui o primeiro a pedir um! Perguntei a ele se estava gostando da jornada e ele me respondeu que sim, mas que estava um pouco contrariado por não ter conversado por mais tempo com suas crianças. Reclamou também da ausência do público na conferência de Wim Veen, ocorrida ontem a noite.

Bem, por enquanto é isso. Está quase na hora do Xis com Fritas nosso de cada dia e hoje a tarde estarei assistindo ao debate sobre jornalismo, cinema e internet, com Jorge furtado e Ricardo Silvestrin. Ainda hoje farei mais um post. E preparem-se, amanhã teremos Guillermo Arriaga.


Amplexos!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Heaven! I'm in Heaven!

A sensação de não dormir por 2 dias seguidos aparenta ser horrivel,mas no momento me sinto um menininho de 5 anos na Disney. Só que eu tenho 19 e estou na 13ª Jornada de Literatura e a ultima coisa que eu quero ver é o focinho do Mickey.
Até agora trabalhei com uma duzia de jornalistas fodões, pude ver uma comitiva com Wim Veen, escrevi pencas e pencas de Twitts e ainda acho que está uma porra. Depois da abertura, da entrega dos prêmio e da homenagem ao Pedro Bandeira, creio então que vou sair daqui...pra ir direto no Boka, pois os escritores também estarão lá.

Sabe, não me importo em ficar mais um tempão acordado. É claro que não vou poder ficar, tenho que escrever pencas de Twitts, atualizar o meu singelo blog e estar por dentro desse evento tão foda que eu nem imaginava que podia ser possível. Eu acreditava em pessoas se reunindo pra comer salsichas e beber chopp, mas não sabia que o amor pela literatura era suficientemente grande pra arrastar mais de 20 mil pessoas pra um lugar só. Puta que pariu, como fiquei tanto tempo sem isso!?


Sabe, até que valia a pena ser humilhado por gostar de ler na 5ª série. Aqueles babacas não aguentariam tudo o que vivi até agora. Pra ser literato tem que ter culhão!

Red


Ontem, dia 25, teve início a primeira atividade da Jornada de Literatura, no Itatiaia Premium Hotel: o Encontro Internacional da Red de Universidades Lectoras, com a participação de Ignácio de Loyola Brandão.


A Red de Universidades Lectoras teve sua formação no ano de 2007, em Sevilha, com a colaboração de universidades da Espanha, Portugal, Itália, Argentina e Brasil. O principal objetivo da Red é promover intercambios de experiência e coordenar as atuações no âmbito da leitura e escrita nas universidades. A leitura na universidade, ao contrário do que muitos pensam, não assume um caráter fixo e as falhas que provam esta intangibilidade estão presentes em vários cursos. Mesmo na capital da literatura esse problema é detectado, quando nota-se a desvalorização dos eventos culturais promovidos e a falta de incentivo à leitura em escolas e cursos preparatórios.


O encontro contou com a presença de representantes de grandes universidades como a Universidad de Extremadura (Espanha), a Universidade de Évora (Portugal) e a UNICAMP. No encontro discutiu-se a importância da cultura letrada no meio acadêmico e de como ela pode colaborar para a formação de um pensamento crítico nos estudantes. Também foram abordados os problemas de acesso a cultura e o desenvolvimento de práticas e eventos para amenizá-los. Foi lançado, no mesmo evento, o livro Práticas de Lectura y Escrita, autoria do Prof. Dr. Eloy Martos Nuñez (Extremadura) e da Prof. Dr. Tania M. K. Rösing (UPF), entregue aos participantes do encontro.



Pude perceber a importância da literatura no ensino quando ouvi o relato de Ignácio de Loyola Brandão sobre uma escola da periferia de SP. Com o seu olhar sério e analítico e sua forma simples de falar, Ignácio contou como a singela contação de histórias pode transformar uma escola degradada pela marginalização de seus alunos em um exemplo a ser seguido em todo o país. Brincou dizendo que "não fazia parte dessa rede", pois não era um professor, ou doutor, mas sim um criador, um escritor que percebia as mudanças quando elas efetivamente acontecem e podem ser tomadas como modelo. Todos os participantes da mesa expressaram-se maravilhosamente bem, mas foi Ignácio, com sua narrativa branda e equilibrada, que trouxe a tona a semente da esperança que costumo plantar quase todo dia no terreno vasto e mágico do fantástico, da literatura.


Hoje a Jornada será oficialmente aberta com a apresentação do Grupo Toll e com a homenagem especial a Pedro Bandeira. Mais tarde ocorrerá a conferência Geração Homo Zappiens, com o pesquisador holandês Win Veen, autor do livro Homo Zappiens que estuda o comportamento das novas gerações com o mundo técnológico.


Mal começou e já estou uma pilha de nervos. Passei a noite num bom hotel e não consegui pregar o olho.

domingo, 25 de outubro de 2009

13ª Jornada Nacional de Literatura.




Venho avisar aos meus leitores etéreos que a partir de hoje, até a próxima sexta-feira, estarei trabalhando na 13ª Jornada Nacional de Literatura, o maior evento literário do país e, provavelmente, um dos maiores do mundo.
A 13ª Jornada contará com grandes nomes da literatura nacional, como Ignácio de Loyola Brandão, Alcione Araújo, Fernando Bonassi, Jorge Furtado e o homenageado Pedro Bandeira, além de grandes nomes da literatura e cultura internacionais como Wim Veen ( Holanda), Guillermo Arriaga (México) José Eduardo Agualusa (Angola) e Emily Short (EUA).

Juntamente com o evento ocorrerá a 5ª Jornadinha Nacional de Literatura que contará com vários escritores da área de literatura infanto-juvenil, além de apresentações artísticas e musicais. Dentre estas haverá a presença do Grupo Tholl, Ivan Zigg, Grupo Repercusão e Banda AfroReggae.

O evento conta com uma estrutura excelente: 5 lonas, praça de alimentação, stands de várias editoras nacionais(...)

A 13ª Jornada Nacional de Literatura ocorrerá do dia 26/10 à 30/10 de 2009, com seminários e cursos a partir das 8:30 às 11:00 e com as atrações principais a partir das 14:oo até 20:30.

Compareçam e prestigiem, queridos leitores! Em breve informações detalhadas do evento e o endereço do Twitter da Jornada!

Let's read!

sábado, 24 de outubro de 2009

Women, again.



Estou ouvindo System, ainda processando muitas das palavras contidas em Máquina de Pinball, de Clarah Averbuck. O último post que fiz foi sobre mulheres, de como eu as admiro e de como eu não as entendo, bem, continuo não entendendo, ou entendendo que não as entendo, mas a beleza nelas aumentou vertiginosamente.

Clarah usa uma das melhores linguagens nessa obra: a linguagem visceral. Não, não estou puxando o saco porque ela iria na Jornada semana que vem (é, ela não vai mais), nem porque ela é filha de um dos cara do Tangos e Tragédias (acho que é o Nico). Essa mulher é incrível, e eu duvidava. Achei meio hype demais ela dedicar os livro aos Strokes, mas ela mesmo disse que agora é que eles estão hypes, mas eu não ligo, não sou muito dos Strokes mesmo.

É, essa filha do Hique Gomez ( confirmei com a Thainá agora), é fodástica. É livre, espontânea, engraçada, fuma Lucky e é muito bonita. Um mundo caótico e atraente transborda dos versos belos e sujos dessa musa terrível. E como eu vejo as mulheres agora! Puta que pariu. Nós homens somos essencialmente garotos, sim. Somos e sempre seremos pirralhos. Mas isso não é vergonhoso e de forma alguma nos põe em um patamar abaixo do das mulheres. Não. Estamos no mesmo patamar, a diferença é que elas enxergam. A diferença é que elas vivem cada segundo, ou a maioria delas, ou as mulheres que realmente são mulheres.

Gostei muito, e é claro que nem tudo no livro foi absolutamente admirável. Discordo de algumas coisas, acho estupidas outras, ninguém é obrigado a achar as coisa sempre fodásticas. Ninguém é obrigado a nada. Não curto anfetaminas, não curto Vodka, mas ali, nas letras dessa mulher do caralho teve um outro sentido. Um sentido mais belo e de certa forma puro. As cenas se abriam sem obstáculos, sem farsas, mostrando situações de vidas muito incomodas com uma fome de vida que pude perceber certas vezes no sorriso de certas mulheres. Senti o que sinto quando leio alguns contos do Velho Safado: me senti um homem, um homem que ama mulheres, e Clarah despertou isso com uma bela chave de pernas. Amo Madredeus e no momento não desejei ouvir Tejo, que acaba de começar. Isso é estranho.


Todo livro de verdade tem um momento apoteótico. Não exatamente um clímax, mas um momento impregnado de sentido,onde tudo se faz entender dentro de cada leitor. E quando entendi a Máquina de Pinball não tive mais vergonha de ser exageradamente cavalheiro as vezes, de presar pelo olhar e deixar os seios pra depois, de sentir vontade de cheirar os cabelos de uma bela mulher numa manhã de domingo com o sol alto, de falar coisas que gosto a ela, de saber do que ela gosta, de descobrir coisas que nos dois gostamos e de fazer um sentimento puro nascer, não exatamente amor ou amizade ou qualquer coisa, somente conhecer, viver saborear. Puta que pariu Alan Moore, odeio dizer isso mas você não chegou nem perto. Mas tudo bem, ninguém chegou, e continuo achando aquela a sua melhor tentativa. Puta que pariu.


P.S às gêmeas: O dia que vocês verem ela e não me contarem, não me chamarem, não tirar ao menos uma foto, mando seu pai bater em vocês, mesmo que ele me chame de cretino.

sábado, 17 de outubro de 2009

Filhas de Eva.


São absolutamente fabulosas as portas que o ócio pode abrir. Há pouco tempo atrás não tinha perspectiva nenhuma de diversão, a não ser a leitura de Quando as Bruxas Viajam, de Terry Pratchett, e uma noite tranquila de sono. No meio da noite meu celular toca: era um amigo, completamente bêbado, acompanhado de um saudoso amigo de infância e de um adorável primo meu. Meu amigo bradava no telefone, me convidando para sair, que já estava perto da minha casa e que não aceitaria o não que já havia lhe oferecido como resposta. Vesti uma roupa e fui até o portão para explicar que havia acabado de sair da casa de uma amiga, onde estava assistindo a um filme e pretendia dormir porque eu acordaria cedo.

Não há quem resista a um amigo bêbado, ainda mais se ele estiver dizendo que te ama e que sente saudades.

Após explicar a situação em casa, pude sair com tranquilidade. Dei um grande abraço no velho Sabão, amigo da minha infância, pois naquela época ele já era um marmanjo bem criado. Pude conversar de forma descontraída com meu primo (notei que ele estava mais descontraído do que o normal) e demos voltas agradáveis pela cidade, falando sobre várias coisas, principalmente daquelas que nos deixam com um comportamento absolutamente cretino e irracional.


Falávamos de mulheres.


Falávamos de como elas são desejáveis e ao mesmo tempo preocupantes, de como elas aparentam ser intangíveis certas vezes, falávamos de sua forma, seus traços, suas curvas inspiradoras, seus segredos enlouquecedores. Falávamos da eterna e misteriosa beleza que a mulher representa, ora tida como maldição, ora tida como benção. E assim transcorreu a noite até nos encontrarmos com algumas donzelas (umas mais donzelas do que outras) e principiamos uma agradável conversa. Eu, particularmente, me comportei como um diplomata indesejável (daqueles que utilizam a pompa em ambientes inapropriados). Outro companheiro agiu como um bárbaro ao ver uma bela estrangeira, o segundo estava um tanto tímido e o terceiro mais do que acostumado. Naquele momento eu desejei conversar particularmente com uma das donzelas. Não, eu não agiria com intenções perversas e tão pouco agiria com intenções singelas demais. Eu apenas desejei conversar tranquilamente e agradavelmente com aquela donzela, para mais tarde, quem sabe, desfrutar do conforto apoteótico de um beijo.
Mas as nossas donzelas decidiram ir embora.
Como perfeitos cavalheiros eu e meu querido primo acompanhamos duas das donzelas. Conversamos um pouco com elas e sem querer conversamos uma boa parte do trajeto entre nós mesmos. Após nos despedirmos, agradecendo a companhia e desejando boa noite, chegamos a conclusão que o dia seguinte seria perfeito para bater com a cabeça na parede, em virtude das babaquices ditas. Pelo menos tínhamos nossos amigos e quem sabe mais um pouco de cerveja.


Pelo menos era o que pensávamos.


Um de nossos amigos estava passando mal e acabamos levando ele pra casa. Demos mais algumas voltas, falando sobre computadores, trabalho, faculdade, livros...e mulheres. Cheguei em casa e tentei dormir mas me vi na obrigação de escrever algumas coisa.


Isso não foi um desabafo, recheado de logorréias, de um homem carente. Na verdade eu acordei com essa logorréia toda e não tive a oportunidade de usá-la. Eu apenas fixei meus pensamentos por um momento, tendo como foco a mulher e tudo o que ela representa, tudo o que ela exala, todos os mistérios que ela deixa em nosso âmago. Creio que não há como definir tão magnífico ser, mas creio que muitos de nós, homens, possamos tentar. Eu não me vejo na condição de exercer tal tentativa, talvez algum dia eu me veja, mas por hora vou usar a melhor tentativa que conheci:

As mulheres são um outro caso. Mesmo com a grande amargura só delas, continuam seu trabalho incessante e, para todos os efeitos, parecem habitar um mundo separado do calor do nosso mundo, trilhando caminhos de um outro, uma terra feminina. Terra que não é afetada pelos empurrões e tensões do entusiasmo, dos Impérios e das revoltas dos homens. Elas assam o pão. Elas lavam as roupas e dão à luz bebês que podem beijar e nos quais podem dar palmadas. Nos intervalos das nossas guerras, vamos até elas para mamar, na sua indiferença profundamente invejável, a estabilidade duradoura dessas mães. As que já são mães e as que ainda serão. Essas deidades salpicadas de tempero.


Trecho de A Voz do Fogo, de Alan Moore.

Creio que seja só isso por essa noite, leitores etéreos. Ficarei aqui sonhando com princesas, deusas, fadas, Teresas, Marias, Jéssicas, Audreys, Mercedes, Helenas, Gabrielas, Coralines, Alices, Taíses... Que Morpheus tenha paciência!