domingo, 13 de dezembro de 2009

Um bêbado se afoga em luz e escreve alguma coisa.

Eu só percebo o mundo, ou sua face mais bela, quando ele está definitivamente girando. Ou seja...

Eu estive em uma garagem que por uma noite (quem sabe várias em uma só) serviu de abrigo para um aglomerado de deuses confusos e dispersos. Selvagens apesar de suas posturas, poderosos apesar de seus limites e intenções. Naquela garagem repleta de fraquezas deliciosas beijei mais uma vez o cerne do ser humano, e como sempre virou-me a cara sem se explicar, sem me responder, me deixando confuso quanto a existência, me presenteando com mais que uma verdade e me deixando a tarefa agônica de seguir uma delas. Não sei se é possível seguir apenas uma.


Mas A Essência não assusta, apenas. Maior valor dou ao sagrado mel que escorre de seus poros e vivo disso tanto quanto aquele que só sabe viver de seus golpes.

DICOTOMIAS

luz escuridão (?)

axioma falácia?

prosa poesia (?)

razão loucura (?)

Deus homem (?)


e por falar nisso...



Não seríamos Deuses dorminhocos?



Talvez
[ tal vez
não me esforce em sintetizar, em me fazer entender. Muito do que falo é bastante nublado e sujo. Mas vejo que algo ali brilha, quem sabe somente eu note ou somente eu veja isso de forma peculiar. Talvez eu seja um bêbado desgraçado.



- Você é o nosso poeta boêmio.

è bom ouvir isso, é lindo e maravilhoso, apoteótico...

( e terminando isso depois de várias ventanias me culpo em dizer)


... [tal vez não importe.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Profeta da Calçada

Ele passou e acenou.
E em busca de luz eu atravessei o rio de pedras amassadas e sujas,
e o cumprimentei como um herói.

Convidei-o como um vizinho
a juntar-se a mim e a outros vagabundos
que mal sabem o que fazem, mas que caminham contentes e distraídos
[mal nenhum há nisso
E dei lhe um cigarro, e o acendi
E perguntei sobre o segredo da vida, o mal do século
O caroço do gozo, o beijo das fadas
E por um momento, ele olhou pro vazio, mergulhou na essência do (não)ser
[ por um momento foi meu Cristo

E viu a resposta como quem vê uma mulher convidando a deitar,
bonita demais pra ser verdade...
E não sabia sintetizar
Não saberia explicar
Não saberia responder

falar.

(não há como)

E eu agradeço e vou embora com a horda aprendiz
E ele fica ali


Contemplando o vazio













- até mesmo os profetas já não sabem mais o que dizer .

domingo, 6 de dezembro de 2009

Quero beber devagar.


- Você sempre vai amar alguém, esteja certo. O amor sempre acaba, mas também sempre volta. É... eu sei cara. Amar é uma merda!

Sábias as palavras que o Sagrado Budha me disse ontem, talvez eu seja mesmo um vagabundo iluminado. Desde que eu sempre possa beber e disparar minha metralhadora estúpida de palavras não ligo pra título algum. Bons amigos e umas cervejas sempre podem te fazer melhor. Te recostituem, te quebram, te fazem sorrir, te fazem chorar...cervejas e amigos sempre funcionam.

Hoje passei a tarde lendo A Folha de São Paulo no meu quarto com cheiro de perfume e cigarro. Descobri novos escritores a partir de um caderno antigo sobre a FLIP: Atiq Hamini, um franco-afegão que escreveu um romance a uma poeta que foi morta pelo marido; James Salter, um contista muito bom que gosta de Thomas Wolfe; e um português conhecido que eu desconhecia chamado Lobo Antunes que lançou um livro sobre violência juvenil, um enredo bem parecido com Laranja Mecânica. Mas isso não desmerece o autor. Muita coisa não desmerece as pessoas. Se acham Crepúsculo melhor que Romeu e Julieta eu ignoro, quero ficar em paz com minha cerveja, meus cigarros, meus escritores favoritos e com qualquer pessoa que esteja disposta a fazer o mesmo. Já não me importo tanto com o que as pessoas falam...muitas vezes não é aquilo que realmente pensam ou sentem. Eu sou assim algumas vezes, sei como é.


O negócio agora é relaxar e beber as palavras aos poucos.


Fiquei sabendo também sobre um dramaturgo que foi baleado em São Paulo. O nome dele é Mário Bortolloto, escreve peças prum grupo bem interessante chamado Parlapatões e gosta de ouvir Van Morrison. Ele parece ser um cara legal, despojado. Ele gosta de bares, de mulheres, de falar com mendigos e de escrever. Eu me identifiquei com ele, queria conhecer esse cara. Ele deve ser bem conceituado e também deve ter nascido com bastante sorte. Mas isso não desmerece ele.


É bom saber que por mais que aconteçam coisas no mundo o ato de escrever continua sendo humano.


O Blog dele tem um título irônico e trágico. É impressionante como a literatura nos engole e é mais impressionante ainda como amamos isso. Estou amando ter conseguido baixar a coleção completa de Hellblazer, amando o fato de ter ficado uma tarde inteira lendo jornal sem me sentir inútil ou culpado, amando escrever no meu blog mesmo que poucas pessoas leiam, mesmo achando que eu não escreva lá muito bem, estou amando ouvir Beirut enquanto digito tudo isso...

Eu realmente estou amando.

Não me importo em ver se algo está bom ou ruim no momento. Estou gostando das coisas como elas são.


Ouvi algumas pessoas falarem que me amam ontem, ouvi elas dizerem que gostam de mim. Não quero mais duvidar de nada, só vou deixar ser, só vou me equilibrar pelas calçadas e continuar sorrindo.Eu gosto de viver assim, e de ver as pessoas assim e de falar assim...por mais que eu tenha muito que aprender.


-Você é o nosso poeta boêmio!


Que bom que alguém viu assim, talvez eu seja isso mesmo. Mas o importante agora é não esquecer de pendurar o chapéu às vezes, tirar os sapatos, relaxar os pés, descansar, se acalmar.





E não esquecer de beber as palavras...bem devagar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Louros ao Mais Vendido! (ele está precisando)




(...) o “não li e não gostei” mantem a liderança, seguido de “prefiro Machado de Assis e Dostoievsky” ( não entendo por que estes dois não estão na lista dos mais vendidos. Sem comentários…)
Paulo Coelho



O nobilíssimo escritor Paulo Coelho (parente do Presto da Caverna do Dragão) fez um post bastante original em seu blog: Por que odeio Paulo Coelho?. O ingênuo escritor teve a iniciativa depois de ter conversado com um amigo, que conversou com um amigo (suspeito, né?) que odiava Paulo Coelho, porém sem dar justificativas fixas ou argumentos convincentes para tamanho desgosto.

Até o dia de hoje o post conta com mais de 700 comentários a respeito de sua pessoa e suas obras. Muitas pessoas afirmam explosivamente que odeiam o bruxinho alto astral, mas o problema é que os argumentos são muito falhos: o tradicional não li e não gostei realmente impera.
Ora, leitores! Não há motivos para agir assim com o pobre homem se você não conhece a obra dele! Leia ao menos um livro depois parta para a ação! Afinal temos que contribuir, temos que ajudá-lo a responder a sua pergunta (por que não gostam de mim?).

Particularmente não ligo se as pessoas gostam ou não de Paulo Coelho, apenas acho que existem coisas infinitamente melhores que merecem atenção. O que me perturbou, verdadeiramente, foi o comentário de Paulo, que usei no início do post.
Gostaria muito de responder isso no blog dele, mas ele não admite palavrões.


(peço perdão)


Dostoiévsky e Machado de Assis não estão na lista dos mais vendidos, seu grande desgraçado, porque desde cedo, nas nossas humildes escolas, tivemos um contato macabro com a literatura. Tínhamos medo das linguagens rebuscadas, das histórias "indecentes", das épocas em que não vivemos. Em toda minha vida escolar pouquíssimas vezes fui bem apresentado a um livro e se não fossem essas pouquíssimas vezes não conheceria Dostoiévsky hoje.

Além disso as obras de Dostoiévsky e Machado de Assis são reproduzidas em larga escala em versões pocket. Noites Brancas pode ser adquirido por 8 reais, Esaú e Jacó ou Memórias Póstumas de Brás Cubas estão entre 10 e 13 reais. Eles não estão na lista dos mais vendidos porque a a porra da "elite leitora" não liga pra livros baratos e livros "ultrapassados", que são comprados com um mínimo de dinheiro e podem ser achados em sebos. A onda do momento são livros com capas cintilantes, com a foto do autor(a) na orelha fazendo uma pose arrojada e moderna, exibindo orgulhosamente a sua juventude e beleza, além de provar a todos as magníficas qualidades do Photoshop. Hoje o que importa é que o seu autor favorito esteja em capas de revistas, que suas obras estejam fazendo milhões com suas versões no cinema ou na TV, que ele seja amado na Europa e na Ásia. O fato dele ter mudado ou não a sua vida ou sua forma de pensar fica em segundo plano. É preciso que a máscara seja bela, do contrário nada é satisfatório.



Eu me pergunto o que acontecerá comigo quando eu tiver a audácia de publicar um livro (seu eu puder, lógico). Pode ser que as pessoas não gostem, pode ser que eu não goste! Mas...pensando bem, gostar é o mais importante? Até o onde o mero gostar faz sentido? Alguém achou Ensaio Sobre a Cegueira divertido e agradável? Alguém achou A Laranja Mecânica um livro engraçadinho? E essas obras são necessariamente ruins?



"Um escritor não escreve o que quer, escreve o que pode." Guillermo Arriaga

"Um bom poeta pode fazer uma alma despedaçada voar." Charles Bukowski

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Café-da-manhã com gosto de Martini

Como este blog está a tempo sem comer alguma coisa vou fazer a mesma postagem que fiz em C&O.
Enjoy!




"Somos saudáveis apenas na medida em que nossas ideias são humanas"


Esse é o epitáfio do escritor fictício Kilgore Trout, um dos protagonistas de Café-da-manhã dos Campeões, ao lado de Dwayne Hoover um vendedor de carros fictício.

Não sei muito bem por onde posso começar a falar deste livro. Também creio na possibilidade de Kurt Vonnegut Jr. ter se sentido exatamente do mesmo jeito quando pretendia escreve-lo. Café-da-manhã dos Campeões, antes de qualquer definição, é um livro bastante engraçado e sério. Ser uma pessoa espirituosa seria um pré-requisito para rir dele. Saber parar de rir no momento certo seria importante também. Vonnegut, em um pequeno livro de um pouco mais de 300 páginas satiriza a política, o consumismo, o sucesso, a sociedade, a raça, o sexo e algumas outros coisas que os seres humanos costumam ostentar orgulhosamente. Ele aponta as facetas mais ridículas de todos os valores citados e faz isso sem parcimônia, sem moderar as palavras, ou melhor, ele escolhe as palavras exatas para que a sua piada não soe apenas suja e crua, mas compreensível, reflexiva e aceitável.

A narrativa diverte pela sua originalidade. Não é apenas uma narrativa fragmentada que perambula pelo tempo e espaço do romance, sua linguagem tem um caráter indiferente, como o de um texto analítico sobre a raça humana. Aliás, a obra é exatamente assim: voltada para um público de alienígenas que desconhecem a raça humana. No decorrer dessa novela alucinante você se depara com desenhos engraçados que explicam algumas idéias de Vonnegut e ajudam os alienígenas a compreender o mundo humano. Esses desenhos tem uma função fantástica no texto, fazendo com que você veja claramente as faces mais engraçadas e preocupantes da nossa adorável raça. Algumas luzes diretas do autor também aparecem no texto fazendo transparecer seu calcanhar de Aquíles: um caráter humanista, triste e artístico.

O livro pode ser encontrado em versão pocket na famosa coleção L&PM pocket. Você também pode vasculhar e-books por aí e procurá-lo em arquivo pdf.

Ele não é só recomendável, é essencial. Creio que o bordão que dá título a obra não ficou conhecido apenas pela famosa marca de cereais. Este livro é uma pérola da crítica e da contracultura (porque não?).

Bom café-da-manhã!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Abertura da Jornadinha!


Creio que o ultimo post tenha sido um tanto veemente e incaclculado mas, o importante é que demonstrei a profunda emoção de estar participando deste evento fantástico. Ontem foi um dia de muito trabalho para todos os envolvidos, desde o pessoal da limpeza até aos jornalistas e organizadores. Creio que ainda terei que trabalhar muito mais mas, isso só aumenta a vontade de estar aqui. A Jornada é, sem dúvida, a melhor fonte de experiência profissional que já tive.

Bem, deixando as emoções um pouco de lado vou falar sobre o que ocorreu ontem no primeiro dia da Jornada. Como já disse o espetáculo do Grupo Tholl foi fascinante, seu domínio de palco e toda a sua arte de expressão corporal comoveram muitos dos participantes. Eu só havia assistido uma única apresentação do grupo até então e notei, nesta Jornada, que ele assumiu um caráter mais adulto, com movimentos mais sensuais e atrativos. Após o espetáculo houve uma pausa para o jantar, todos dirigiram-se para a praça de alimentação que conta com algumas lanchonetes e restaurantes de boa qualidade. As pessoas aproveitaram para olhar as exposições de arte e fotografia no Centro de Eventos UPF, onde encontravam-se também algumas telas de touch screen com informações da Jornada.

Houve a entrega do 6º Prêmio Passo FundoZaffari & Bourbon de Literatura e a divulgação dos vencedores do 11º Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães. Cristovão Tezza foi o ganhador do 6º Prêmio com o romance O Filho Eterno e o vencedor do Concurso de Contos foi Éder Rodrigues de Belo Horizonte, com os contos “Quando o desejo passou por aqui”, “Primeira Página” e “Último domingo ao mar”. Em seguida Wim Veen, escritor holandês, iniciou uma conferência sobre a Geração Homo Zappiens, teoria desenvolvida por ele. Houve também a presença do Ministro da Cultura, Fernando Haddad, que se animou e falou por um longo período. "Infelizmente" eu não estava presente para ouvi-lo.

Hoje pela manhã o Circo da Cultura recebeu os jovens da 5ª Jornadinha, apresentada pelo ilústre Gato Gali-Leu! Após o hino brasileiro as crianças ouviram uma história da animadíssima Fátima Café. Ela estava tão animada que acabou ultrapassando o seu tempo o que diminuiu a conversa do fabuloso Pedro Bandeira com as crianças. Quando ele se retirou do palco eu o segui como um menino tímido até o local onde ele está dando seus autógrafos, neste exato momento, e fui o primeiro a pedir um! Perguntei a ele se estava gostando da jornada e ele me respondeu que sim, mas que estava um pouco contrariado por não ter conversado por mais tempo com suas crianças. Reclamou também da ausência do público na conferência de Wim Veen, ocorrida ontem a noite.

Bem, por enquanto é isso. Está quase na hora do Xis com Fritas nosso de cada dia e hoje a tarde estarei assistindo ao debate sobre jornalismo, cinema e internet, com Jorge furtado e Ricardo Silvestrin. Ainda hoje farei mais um post. E preparem-se, amanhã teremos Guillermo Arriaga.


Amplexos!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Heaven! I'm in Heaven!

A sensação de não dormir por 2 dias seguidos aparenta ser horrivel,mas no momento me sinto um menininho de 5 anos na Disney. Só que eu tenho 19 e estou na 13ª Jornada de Literatura e a ultima coisa que eu quero ver é o focinho do Mickey.
Até agora trabalhei com uma duzia de jornalistas fodões, pude ver uma comitiva com Wim Veen, escrevi pencas e pencas de Twitts e ainda acho que está uma porra. Depois da abertura, da entrega dos prêmio e da homenagem ao Pedro Bandeira, creio então que vou sair daqui...pra ir direto no Boka, pois os escritores também estarão lá.

Sabe, não me importo em ficar mais um tempão acordado. É claro que não vou poder ficar, tenho que escrever pencas de Twitts, atualizar o meu singelo blog e estar por dentro desse evento tão foda que eu nem imaginava que podia ser possível. Eu acreditava em pessoas se reunindo pra comer salsichas e beber chopp, mas não sabia que o amor pela literatura era suficientemente grande pra arrastar mais de 20 mil pessoas pra um lugar só. Puta que pariu, como fiquei tanto tempo sem isso!?


Sabe, até que valia a pena ser humilhado por gostar de ler na 5ª série. Aqueles babacas não aguentariam tudo o que vivi até agora. Pra ser literato tem que ter culhão!

Red


Ontem, dia 25, teve início a primeira atividade da Jornada de Literatura, no Itatiaia Premium Hotel: o Encontro Internacional da Red de Universidades Lectoras, com a participação de Ignácio de Loyola Brandão.


A Red de Universidades Lectoras teve sua formação no ano de 2007, em Sevilha, com a colaboração de universidades da Espanha, Portugal, Itália, Argentina e Brasil. O principal objetivo da Red é promover intercambios de experiência e coordenar as atuações no âmbito da leitura e escrita nas universidades. A leitura na universidade, ao contrário do que muitos pensam, não assume um caráter fixo e as falhas que provam esta intangibilidade estão presentes em vários cursos. Mesmo na capital da literatura esse problema é detectado, quando nota-se a desvalorização dos eventos culturais promovidos e a falta de incentivo à leitura em escolas e cursos preparatórios.


O encontro contou com a presença de representantes de grandes universidades como a Universidad de Extremadura (Espanha), a Universidade de Évora (Portugal) e a UNICAMP. No encontro discutiu-se a importância da cultura letrada no meio acadêmico e de como ela pode colaborar para a formação de um pensamento crítico nos estudantes. Também foram abordados os problemas de acesso a cultura e o desenvolvimento de práticas e eventos para amenizá-los. Foi lançado, no mesmo evento, o livro Práticas de Lectura y Escrita, autoria do Prof. Dr. Eloy Martos Nuñez (Extremadura) e da Prof. Dr. Tania M. K. Rösing (UPF), entregue aos participantes do encontro.



Pude perceber a importância da literatura no ensino quando ouvi o relato de Ignácio de Loyola Brandão sobre uma escola da periferia de SP. Com o seu olhar sério e analítico e sua forma simples de falar, Ignácio contou como a singela contação de histórias pode transformar uma escola degradada pela marginalização de seus alunos em um exemplo a ser seguido em todo o país. Brincou dizendo que "não fazia parte dessa rede", pois não era um professor, ou doutor, mas sim um criador, um escritor que percebia as mudanças quando elas efetivamente acontecem e podem ser tomadas como modelo. Todos os participantes da mesa expressaram-se maravilhosamente bem, mas foi Ignácio, com sua narrativa branda e equilibrada, que trouxe a tona a semente da esperança que costumo plantar quase todo dia no terreno vasto e mágico do fantástico, da literatura.


Hoje a Jornada será oficialmente aberta com a apresentação do Grupo Toll e com a homenagem especial a Pedro Bandeira. Mais tarde ocorrerá a conferência Geração Homo Zappiens, com o pesquisador holandês Win Veen, autor do livro Homo Zappiens que estuda o comportamento das novas gerações com o mundo técnológico.


Mal começou e já estou uma pilha de nervos. Passei a noite num bom hotel e não consegui pregar o olho.

domingo, 25 de outubro de 2009

13ª Jornada Nacional de Literatura.




Venho avisar aos meus leitores etéreos que a partir de hoje, até a próxima sexta-feira, estarei trabalhando na 13ª Jornada Nacional de Literatura, o maior evento literário do país e, provavelmente, um dos maiores do mundo.
A 13ª Jornada contará com grandes nomes da literatura nacional, como Ignácio de Loyola Brandão, Alcione Araújo, Fernando Bonassi, Jorge Furtado e o homenageado Pedro Bandeira, além de grandes nomes da literatura e cultura internacionais como Wim Veen ( Holanda), Guillermo Arriaga (México) José Eduardo Agualusa (Angola) e Emily Short (EUA).

Juntamente com o evento ocorrerá a 5ª Jornadinha Nacional de Literatura que contará com vários escritores da área de literatura infanto-juvenil, além de apresentações artísticas e musicais. Dentre estas haverá a presença do Grupo Tholl, Ivan Zigg, Grupo Repercusão e Banda AfroReggae.

O evento conta com uma estrutura excelente: 5 lonas, praça de alimentação, stands de várias editoras nacionais(...)

A 13ª Jornada Nacional de Literatura ocorrerá do dia 26/10 à 30/10 de 2009, com seminários e cursos a partir das 8:30 às 11:00 e com as atrações principais a partir das 14:oo até 20:30.

Compareçam e prestigiem, queridos leitores! Em breve informações detalhadas do evento e o endereço do Twitter da Jornada!

Let's read!

sábado, 24 de outubro de 2009

Women, again.



Estou ouvindo System, ainda processando muitas das palavras contidas em Máquina de Pinball, de Clarah Averbuck. O último post que fiz foi sobre mulheres, de como eu as admiro e de como eu não as entendo, bem, continuo não entendendo, ou entendendo que não as entendo, mas a beleza nelas aumentou vertiginosamente.

Clarah usa uma das melhores linguagens nessa obra: a linguagem visceral. Não, não estou puxando o saco porque ela iria na Jornada semana que vem (é, ela não vai mais), nem porque ela é filha de um dos cara do Tangos e Tragédias (acho que é o Nico). Essa mulher é incrível, e eu duvidava. Achei meio hype demais ela dedicar os livro aos Strokes, mas ela mesmo disse que agora é que eles estão hypes, mas eu não ligo, não sou muito dos Strokes mesmo.

É, essa filha do Hique Gomez ( confirmei com a Thainá agora), é fodástica. É livre, espontânea, engraçada, fuma Lucky e é muito bonita. Um mundo caótico e atraente transborda dos versos belos e sujos dessa musa terrível. E como eu vejo as mulheres agora! Puta que pariu. Nós homens somos essencialmente garotos, sim. Somos e sempre seremos pirralhos. Mas isso não é vergonhoso e de forma alguma nos põe em um patamar abaixo do das mulheres. Não. Estamos no mesmo patamar, a diferença é que elas enxergam. A diferença é que elas vivem cada segundo, ou a maioria delas, ou as mulheres que realmente são mulheres.

Gostei muito, e é claro que nem tudo no livro foi absolutamente admirável. Discordo de algumas coisas, acho estupidas outras, ninguém é obrigado a achar as coisa sempre fodásticas. Ninguém é obrigado a nada. Não curto anfetaminas, não curto Vodka, mas ali, nas letras dessa mulher do caralho teve um outro sentido. Um sentido mais belo e de certa forma puro. As cenas se abriam sem obstáculos, sem farsas, mostrando situações de vidas muito incomodas com uma fome de vida que pude perceber certas vezes no sorriso de certas mulheres. Senti o que sinto quando leio alguns contos do Velho Safado: me senti um homem, um homem que ama mulheres, e Clarah despertou isso com uma bela chave de pernas. Amo Madredeus e no momento não desejei ouvir Tejo, que acaba de começar. Isso é estranho.


Todo livro de verdade tem um momento apoteótico. Não exatamente um clímax, mas um momento impregnado de sentido,onde tudo se faz entender dentro de cada leitor. E quando entendi a Máquina de Pinball não tive mais vergonha de ser exageradamente cavalheiro as vezes, de presar pelo olhar e deixar os seios pra depois, de sentir vontade de cheirar os cabelos de uma bela mulher numa manhã de domingo com o sol alto, de falar coisas que gosto a ela, de saber do que ela gosta, de descobrir coisas que nos dois gostamos e de fazer um sentimento puro nascer, não exatamente amor ou amizade ou qualquer coisa, somente conhecer, viver saborear. Puta que pariu Alan Moore, odeio dizer isso mas você não chegou nem perto. Mas tudo bem, ninguém chegou, e continuo achando aquela a sua melhor tentativa. Puta que pariu.


P.S às gêmeas: O dia que vocês verem ela e não me contarem, não me chamarem, não tirar ao menos uma foto, mando seu pai bater em vocês, mesmo que ele me chame de cretino.

sábado, 17 de outubro de 2009

Filhas de Eva.


São absolutamente fabulosas as portas que o ócio pode abrir. Há pouco tempo atrás não tinha perspectiva nenhuma de diversão, a não ser a leitura de Quando as Bruxas Viajam, de Terry Pratchett, e uma noite tranquila de sono. No meio da noite meu celular toca: era um amigo, completamente bêbado, acompanhado de um saudoso amigo de infância e de um adorável primo meu. Meu amigo bradava no telefone, me convidando para sair, que já estava perto da minha casa e que não aceitaria o não que já havia lhe oferecido como resposta. Vesti uma roupa e fui até o portão para explicar que havia acabado de sair da casa de uma amiga, onde estava assistindo a um filme e pretendia dormir porque eu acordaria cedo.

Não há quem resista a um amigo bêbado, ainda mais se ele estiver dizendo que te ama e que sente saudades.

Após explicar a situação em casa, pude sair com tranquilidade. Dei um grande abraço no velho Sabão, amigo da minha infância, pois naquela época ele já era um marmanjo bem criado. Pude conversar de forma descontraída com meu primo (notei que ele estava mais descontraído do que o normal) e demos voltas agradáveis pela cidade, falando sobre várias coisas, principalmente daquelas que nos deixam com um comportamento absolutamente cretino e irracional.


Falávamos de mulheres.


Falávamos de como elas são desejáveis e ao mesmo tempo preocupantes, de como elas aparentam ser intangíveis certas vezes, falávamos de sua forma, seus traços, suas curvas inspiradoras, seus segredos enlouquecedores. Falávamos da eterna e misteriosa beleza que a mulher representa, ora tida como maldição, ora tida como benção. E assim transcorreu a noite até nos encontrarmos com algumas donzelas (umas mais donzelas do que outras) e principiamos uma agradável conversa. Eu, particularmente, me comportei como um diplomata indesejável (daqueles que utilizam a pompa em ambientes inapropriados). Outro companheiro agiu como um bárbaro ao ver uma bela estrangeira, o segundo estava um tanto tímido e o terceiro mais do que acostumado. Naquele momento eu desejei conversar particularmente com uma das donzelas. Não, eu não agiria com intenções perversas e tão pouco agiria com intenções singelas demais. Eu apenas desejei conversar tranquilamente e agradavelmente com aquela donzela, para mais tarde, quem sabe, desfrutar do conforto apoteótico de um beijo.
Mas as nossas donzelas decidiram ir embora.
Como perfeitos cavalheiros eu e meu querido primo acompanhamos duas das donzelas. Conversamos um pouco com elas e sem querer conversamos uma boa parte do trajeto entre nós mesmos. Após nos despedirmos, agradecendo a companhia e desejando boa noite, chegamos a conclusão que o dia seguinte seria perfeito para bater com a cabeça na parede, em virtude das babaquices ditas. Pelo menos tínhamos nossos amigos e quem sabe mais um pouco de cerveja.


Pelo menos era o que pensávamos.


Um de nossos amigos estava passando mal e acabamos levando ele pra casa. Demos mais algumas voltas, falando sobre computadores, trabalho, faculdade, livros...e mulheres. Cheguei em casa e tentei dormir mas me vi na obrigação de escrever algumas coisa.


Isso não foi um desabafo, recheado de logorréias, de um homem carente. Na verdade eu acordei com essa logorréia toda e não tive a oportunidade de usá-la. Eu apenas fixei meus pensamentos por um momento, tendo como foco a mulher e tudo o que ela representa, tudo o que ela exala, todos os mistérios que ela deixa em nosso âmago. Creio que não há como definir tão magnífico ser, mas creio que muitos de nós, homens, possamos tentar. Eu não me vejo na condição de exercer tal tentativa, talvez algum dia eu me veja, mas por hora vou usar a melhor tentativa que conheci:

As mulheres são um outro caso. Mesmo com a grande amargura só delas, continuam seu trabalho incessante e, para todos os efeitos, parecem habitar um mundo separado do calor do nosso mundo, trilhando caminhos de um outro, uma terra feminina. Terra que não é afetada pelos empurrões e tensões do entusiasmo, dos Impérios e das revoltas dos homens. Elas assam o pão. Elas lavam as roupas e dão à luz bebês que podem beijar e nos quais podem dar palmadas. Nos intervalos das nossas guerras, vamos até elas para mamar, na sua indiferença profundamente invejável, a estabilidade duradoura dessas mães. As que já são mães e as que ainda serão. Essas deidades salpicadas de tempero.


Trecho de A Voz do Fogo, de Alan Moore.

Creio que seja só isso por essa noite, leitores etéreos. Ficarei aqui sonhando com princesas, deusas, fadas, Teresas, Marias, Jéssicas, Audreys, Mercedes, Helenas, Gabrielas, Coralines, Alices, Taíses... Que Morpheus tenha paciência!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Depois de um dia ruim...


Dia de Cão

Hoje acordei pela manhã com a alegria e a calma de um agricultor. O céu estava limpo , o vento estava fresco e as árvores mais verdes do que o comum. A natureza me dava alguns momentos de coragem. Não demorou muito para que o barulho dos carros e das propagandas ambulantes despertassem, não demorou para que o ônibus lotasse. Cheguei ao trabalho com a mesma calma de antes e ouvi uma reunião da qual não contribui em nada. De certa forma eu previa um dia ruim mas não queria acreditar nisso, sabia que apesar da calma que eu ainda sustentava na minha sagrada cúpula interior de paciência, haveria sempre lá fora um lugar caótico repleto de fúria, pressa, gritaria, chantagem, tédio, fumaça, asfalto, vontade de dormir, vontade de gozar, berros em função conativa, alardes, pranto, enfim lá fora haveria o mundo. Isso tudo já não é mais tão difícil de suportar, mas cansa.

Durante o decorrer do dia você até tem alguns lampejos de imaginação, tenta falar as pessoas algumas idéias, alguns assuntos que podem interessar, mas ninguém ouve. Todos querem ficar entediados e se irritar em paz. Certamente há artimanhas para driblar um dia de cão: café, cigarros, chocolate , um pastel bem grande e gordo, sexo. Dentre esses o melhor é sexo, mas na maioria das vezes não é muito fácil de se conseguir e quando é certamente não se tira uma vantagem. O melhor num dia de cão é saber que você agüentou ele. Vejo as ruas movimentadas e percebo que há lugares que poderiam muito bem permanecerem congelados no tempo. Praças, bares, lojas velhas e até mesmo cantinhos singelos em algumas ruas. Imagino se por um dia a cidade inteira parasse por um momento pra esticar as pernas pela avenida, com todas as lojas fechadas, com gente rindo e olhando pras árvores. Certamente é uma imaginação boba, gerada pelo sentimento de querer ser bobo por alguns momentos talvez. No fundo é o que todos querem: poder rir o dia todo cantando uma musica tão simples e alegre que chega a ser idiota, beber 8 litros de refrigerantes com salgadinhos em um fliperama mesmo tendo 35 anos, deitar nos canteiros das avenidas e imaginar formatos nas nuvens, vestir uma camiseta do Misfits ou do Sex Pistols e convidar alguns amigos pra tocar violão na praça, paquerar mulheres de uma forma babaca o suficiente para fazê-las rir. Todos querem algo assim mas ninguém faz.

Duas coisas salvaram minha pele impedindo que eu me atirasse na frente de um carro ou algo do tipo. A primeira foi uma idéia muito legal: me imaginei dançando La Valse des Monstres no meio da cidade. Pouco a pouco as pessoas paravam para ver aquele lunático dançando e cantarolando (por não saber tocar acordeon) uma musica estranha. De repente surge um homem, trajado com roupas velhas e simples e uma boina preta carregando um acordeon. Ele reconhece a musica e começa a executá-la em seu maravilhoso instrumento. As pessoas vão aparecendo, formando um círculo ao redor da dupla de artistas admirando o som daquela valsa apoteótica. Elas começam a esquecer o compromisso urgente, o trabalho da faculdade, as roupas no varal, a janta para o marido, a viajem importante. Surge um novo musico carregando um violão. Encantado pela alegria daquele momento une-se aos novos heróis da humanidade e elabora magistralmente acordes doces e suaves que se aglutinam no ritmo da musica. As pessoas esquecem do chefe filho da puta, a faculdade cansativa, a casa perfeita que não precisa ser arrumada tão em breve, o marido grosso que espanca, a cidade grande e nojenta, os negócios, as propagandas, a televisão fútil, a sujeira das ruas, as angústias, as tristezas, as dores. As pessoas esquecem-se de si. Não demora muito para que uma bela jovem acompanhe o nobre dançarino e para que as pessoas em volta comecem a dançar e se beijar. A cidade é tomada pela alegria melancólica de uma valsa que não quer acabar. Mas eu sabia que essa visão ia evanescer.

O que realmente me salvou foi o seguinte: uma menininha havia perdido um casaco emprestado a ela. Desolada começou a chorar. O dançarino louco aqui foi ajudá-la perguntando o que havia acontecido, segurando em sua mão para que se acalmasse. Logo depois alguém acha a blusa que é entregue a menininha. Eu peço para que ela fique calma e pare de chorar. Ela faz que sim com a cabeça e me dá um abraço. Um abraço suave e profundo, um abraço que atinge os cantos mais tristes da alma como um raio de sol que por milagre ilumina uma caverna inteira. Um abraço doce, único, onde todas as coisas se justificam, se completam , se unem. Um abraço que é capaz de apagar o pior dia do mundo, a pior década, a pior vida. Um abraço perfeito.

Eu não tenho certeza se vou poder abraçar essa menininha sempre, não sei se vou vê-la mais. Não tenho a certeza de que vou ver ela crescendo e nem sei se desejo isso a alguma criança, mas eu sei que aquele abraço me salvou a vida. Agora é lutar contra o mundo, continuar firme.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O bom filho a casa torna.

10 de setembro de 2009.

Esse blog nasceu da mais pura e gordurosa essência do ócio. Apesar de isso ter acontecido no ano passado eu o considero obra de um pirralho preguiçoso coçador de saco. Bem, pode ser que eu ainda seja um pirralho, pode ser também que eu continue coçando muito o meu saco mas ao menos eu criei um pouquinho mais de vergonha na cara, um pouco mais de critério assim como diminui o meu nível extremamente irritante de afobação...apesar de continuar irritando as pessoas.

Pretendo reavivar esse espaço, assim como pretendo achar pessoas que me ajudem pelo menos dando uma olhada às vezes. Criar um blog, hoje em dia, não é mais algo superficial, principalmente para pessoas que se interessam pelo Meio Literário. É difícil falar sobre esse meio, levando-se em conta a quantidade assustadora de pessoas que utilizam a ciência da palavra para fins mesquinhos como inflar o ego para se sentir melhor. Mesmo falando isso creio que haverá pessoas que pensem da mesma forma sobre mim. Na verdade não pensarão completamente errado, muito do meu ego se encontrará aqui mas o objetivo principal não é inflá-lo e sim conectá-lo a vários outros. Ele é muito carente e babacão, esse meu ego.

Finalizando as logorreias acima quero justificar que quem escreve aqui não é um literato. Mas este blog, como ser vivo, será... e muito.



Profundo Conhecedor da Essência Humana


Hoje já não vivo na casinha da minha mãe. Hoje sou mendigo. Agora eu vejo as pessoas passando ocupadas com seus celulares, pastas, folhas, seus lanches rápidos. Isso de comer comida na rua é besteira. Eu sei disso, eu como na rua. Mas tem gente que se entope dessa porcarias e para no hospital. Eu sei disso, eu às vezes leio nessas revistas que uso pra forrar minha bota velha. O certo, que minha mãe me encinou é comer bastante e bem, numa mesa bem arrumada. Comer é sagrado, mas eu como na rua...acho que sou um pecador. Eu me arrpendo de não ter estudado mais, mal aprendi a ler. Tem nome que eu leio e não sei o que é. Eu me pergunto é como tem gente que vai pra essas universidade aí e ficam pensando no que vão ser ainda, ficam reclamando. É meio irritante isso.

Desde que minha mãe morreu eu meio que me anojei mais ainda de gente. Gente fede. Eu sei bem disso. Minha mãe não era gente, era anjo. Ela fazia tudo pra mim, eu não sabia me virar sem ela. Quando ela morreu não tinha mais ninguém, quer dizer, tinha meus irmão né, mas meus irmão além de gente eram traficante. Se eu ficasse junto perigava de eu morrer na mão daqueles loucos. Eu tomo minhas cachaça, fumo uma marofa de vez em quando mas tenho medo daquelas coisa cheia de gasolina. É coisa de gente mesmo. Tem doutorzão aí, que faz muito bafo de gente fina e preocupada com as outras gentes. Falam por todo canto que droga não presta, que é preciso ajudar os viciado, mas eles sabem que não vivem sem um whisky importado, um pozinho, até mesmo a marofa que como eles dizem "é coisa de pobre". Gente é muito mentirosa.

Eu sou gente mas eu pelo menos me arrependo disso. Eu podia ter me esforçado pra virar menos gente. Mas dizem uns amigos de rua meus que gente nunca deixa de ser gente, que gente é uma confusão mesmo, não sabem o que tão fazendo, se tá certo ou errado, se é feio ou se é bonito. Ficam toda hora se desdizendo, e que o bonito da gente é isso mesmo, essa confusão toda, esse mar de bagunça. Se for ver até que não é errado. Mas gente fede demais...não vejo a hora de deixar de ser gente.
Quando eu falo isso pros meus amigo eles ficam pirado. Falam que eu sou metido, mas é errado querer ser diferente? Eu queria tar no céu com minha mãe também, não queria tar aqui todo sujo de barro e bosta, com metade dos dentes faltando e com a gengiva espedaçada. Como é que eu vou ir pro céu se eu sou feio que nem um bixo? Eu achoq ue de tão feio e fedido eu deixei de se gente pra ser uma coisa pior. Mas foi tudo culpa de gente.

Eu não tinha nem 5 ano, tava brincando do lado de fora. Eu lembro bem disso, não tem como esquecer. Eu tava brincando e caí num poço negro. Eu tentei saí mas eu me atolava mais naquela massa cheia de merda e mijo de gente. Eu fui atolando cada vez mais. Chorei. E no choro acabei engolindo muita água e mijo, e merda também. Fiquei acho que uns 5 minuto naquela nojeira. E aos poucos eu não via mais nada, mas vi muita coisa de dentro da cabeça. Vi gente morrendo, vi gente brigando, vi gente pondo comida fora, vi gente se matando. Vi gente falando mal de coisas que não podiam falar mal, falavam mal da origem das pessoas, falavam mal do coração, falavam mal de gente velha, falavam mal de coisa de sentimento sabe? coisa tipo miúda e bonita que sai do coração. Mas falavam bem de ferro, de ouro, falavam bem de dinheiro e de prédio grande. E matavam por tudo isso e cagavam em cima de tudo isso e vendiam e compravam e sangravam. Parece que a merda que eu engoli trouxe muito segredo do homem. Acho que li em algum jornal velho que isso é chamado de essência. Mas a essência que vendem na loja é cheirosa, bonita, não é fedida e gosmenta.

Meu tio me tirou do poço negro antes que eu morrese. Minha barriga já tava do tamanho de uma abóbora e eu tava coberto de imundiçe. Me levaram pro hospital e me levaram. Depoois disso não fiquei com medo de água ou de fazer cocô, mas fiquei com medo de gente. No começo eu não sabia porquê. Agora eu sei.

Ainda to na rua e acho que vou ficar aqui pra sempre. É pena, queria ser anjo, mas sou gente. Mas não gente que nem eles...posso ser pior, mas não sou que nem eles.




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Foi um conto a jato. X)

Eu ou vi uma história de um menino que caiu num poço negro, lá perto de onde eu trabalho e resolvi escrever algo. Talvez eu aumente a história, talvez não. Mas pelo menos escrevi, viajei bastante, gostei.

jean (wally!).